segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

"Acaso como impulso criativo"


Esta idéia é de Nietzsche. Esta frase.
Seus desdobramentos, todavia, lecturas mil, podem ser nossas. A genialidade de alguns viventes em eternidade nos permite este tipo de experiência singular.

Tenho muito receio de saber(ilusoriamente) que sei, cair na armadilha desta certeza e me fechar ao acaso.

Nada mais me emocionar se me engessar no aprisionamento de uma linearidade fictícia, como se os cabelos ruivos esvoçantes de uma tela não mais me remetesse à beleza ainda não cristalizada de um pensamento estético a realizar-se.

Tripartizar o tempo em passado, presente e futuro também é reduzir-se ao não movimento elíptico, a uma sucessão de eventos sem ventos, marolas, o indesejado que se aconchega, de repente, à nossa volta.

Gostaria que se abrisse à razão a origem mítica que nos forneceu densidade histórica e subjetiva desde tempos imemoriais.

Gostaria que se abrisse `a estética de hoje uma multiplicidade de possibilidades em desvario, aliada a uma ética não egóica, esta estranha moral em monobloco que arrisca o sempre o mesmo.

Gostaria do acaso à espreita, sempre. O alcance do diferente e do estrangeiro, do amor a pequenas causas e seres, a pequenez harmoniosa com o Uno regente de uma razão sensível.

Hoje, gostaria da capacidade de sermos todos afetados por afectos, paixões , pela experiência cantada do Outro. Sabores que nos levam feito náufragos num raro instante de desejo dionísiaco.

Queria cabelos esvoaçantes chacoalhados pelo necessário impulso que nos desaprisiona de nós.
Ardei por dentro
e deixai que a chama
perturbe
estranhe
remexa!

Um comentário:

Marie disse...

Bravo, poetisa !!!!!!!!
alguém ainda lembra de Dionísio...